
Ainda longe do estádio, já o murmurinho que paira no ar nos dá uma ideia do que vai acontecer naquela noite.
A confusão dos carros a tentar arranjar lugar (que se estende até Telheiras), os vendedores de cachecóis, as torres que sustentam a cobertura iluminadas no céu negro, o verde e branco nos corpos das pessoas que passam, fazem adivinhar um ambiente fervoroso dentro do estádio.
Já no recinto, é ver a porta em que temos de entrar, ir para a fila e passar o bilhete nos torniquetes com leitores a laser. É agora. Vamos entrar. Deixamos os azulejos em tons de verde e passamos pelas portas amarelo-vivo e parece que, de repente e sem avisar, alguém aumentou drasticamente o volume do som. O murmurinho que vinha aumentado à medida que nos aproximávamos do estádio transformavam-se agora numa monumental e monstruosa mistura de sons: cantos em conjunto, assobios, conversas com o parceiro do lado, o speaker! Tudo isto só é abafado e engolido pelo batido de emoções e sentidos que o jogo nos proporciona. A nossa equipa, os adversários, o sempre mal-amado àrbitro, as claques, as famílias inteiras, os telefonemas para casa a (tentar) descrever o ambiente, as conversas com o velhote da cadeira ao lado que nunca vimos na vida, mas que por ser do nosso clube, e por estar ali a participar naquela festa torna-se imediatamente num amigo de confidências. Tudo isto parece que vai deitar o estádio abaixo, mas a fé dos leões não deixa. Os medos, as esperanças, as apostas, e as discussões entre treinadores de bancada, que apostam cada cêntimo que têm em como a sua táctica e a sua equipa ganhariam todos os jogos, fazem parte do ambiente que nos aquece a alma e que nos faz sentir que fazemos parte de uma grande família, da família sportinguista.
Casa de banho para uns, palco de sonhos para outros, é a casa do Sporting, é o Estádio Alvalade XXI.

Publicado por poemasdomundo
Publicado por poemasdomundo
Publicado por poemasdomundo