Lisboa – Algarve, com passagem pelo Deserto dos Chaparros

Tenho andado a escrever uns textos a que chamei “Um Lugar ao Sol” e que agora vou pôr aqui no blog.

Este texto escrevi-o quando fui de férias para uma quinta em Algoz, uma terriola para os lados de Armação de Pêra, bem no meio do Algarve. Espero que gostem!

Da última vez que fui ao Algarve, tinha que se atravessar o Alentejo. Ou como eu lhe prefiro chamar, Deserto dos Chaparros.

Enquanto atravessamos o deserto com o traseiro bem acomodado no banco do carro, seja a ouvir música, a conversar ou a dormir, damos por nós a dar graças ao ar condicionado e a agradecer a quem quer que seja que inventou as garrafas de àgua.

Por vezes olhamos instintivamente para janela, lá p’ra fora, para o mundo fora da nossa bolha refrigerada de 4 rodas, à espera de ver algo, qualquer coisa, nem sabemos bem o quê. Mas parece que o vídeo bloqueou e ficamos sempre a ver a mesma imagem: esses inconfundíveis, tradicionais, e … Alentejanos… Chaparros!

Num dia de sorte podem-se encontrar – a sarapintar a paisagem – casinhas brancas caiadas, fábricas de celulose ou o maior lago artificial da Europa. Mas esse, embora molhado também é um deserto. De pessoas, não de casas, pois dessas há lá muitas, na antiga aldeia da Luz; não têm é inquilinos, esses fugiram todos para o deserto dos chaparros. Pelos vistos, os nativos preferem os chaparros aos peixes.

Mas se queremos ver o Alentejo em todo o seu esplendor, não podemos perder os rolos. Os rolos? – perguntam vocês. Não, não são os rolos de carne, e muito menos rolos de cabelo ou de amassar. Rolos de palha, feno, ou lá o que é que aquilo é. A reluzir ao Sol (que funciona na potência máxima) parecem ouro nesta paisagem, como dizer… algo desértica…

No meio de toda esta desertidão (ou desertidade), como que a reacender a esperança nas almas dos corajosos que fazem esta viagem… hã, especial, aparecem as denominadas Estações de Serviço. Mas pra que é que servem as estações de serviço? Bem, basicamente para “esticar as pernas”, comer a tradicional “sandocha” e fazer o “xixizito”. Mas não é disso que as pessoas gostam mais nas estações de serviço, principalmente nas “desértico-chaparrenses” como é o caso a estação de Aljustrel ou a de Sines. O que as pessoas gostam mais e acham fascinante é o cantacto com a civilização no meio de um deserto. Podem-se ouvir exclamações de transeuntes menos habituados a estas andanças, tais como:

“Que maravilha! Uma máquina de café!”

“ E um frigorífico”

“Mamã, leva-me para o hospital psiquiátrico! Eu… eu… eu vi uma Coca Cola… fresca!

“Não filho, tu não estás maluco. Eu também estou a ver a Coca Cola… e uma fanta! É um milagre!”

Pois é, são todas estas coisas que transformam a viagem pró Algarve via “Deserto dos Chaparros” tão especial!

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